
A Fram Capital lançou em Agosto o seu primeiro FIA ESG.
O fundo nasce após longo estudo sobre as existentes metodologias ESG passíveis de uso.
Os gestores da Fram não afirmam que uma é melhor do que outra, mas apenas que após os estudos e testes realizados (através de pequenas carteiras administradas), a metodologia escolhida pelo fundo foi a que entenderam ter apresentado os melhores retornos para o investidor.
Carta do Gestor “Este é um fundo que se inicia ESG por não ter um passado relevante, ou seja, não estamos ajustando nenhum FIA existente para atender o interesse crescente pelo tema ESG.
O fundo nasce após longo estudo sobre as existentes metodologias ESG passíveis de uso. Não estamos dizendo que uma é melhor do que outra, mas apenas que após os estudos e testes realizados (através de pequenas carteiras administradas), a metodologia escolhida pelo fundo foi a que entendemos ter apresentado os melhores retornos para o investidor.
A sociedade passou a dar uma maior importância ao investimento ESG, coincidentemente ou não, após o inicio da pandemia. A pandemia nos mostrou quão vulnerável está o ser humano às mudanças não apenas climáticas, mas ao uso desenfreado das terras e da invasão de ecossistemas em equilíbrio.
A devastação das florestas e a maior urbanização fez com que seres vivos perdessem seus habitats naturais procurando abrigos em outros locais. É o chamado salto zoonótico que já ocorreu com outros vírus antes da Covid 19, mas com letalidade menor ou disseminação mais difícil. Portanto, devemos lembrar que o investimento sem nenhuma preocupação ecológica pode trazer consequências atrozes.
Por outro lado, temos que ter em mente que investir conscientemente não quer dizer fazer filantropia, nem ao menos quer dizer que devemos impactar a sociedade de alguma maneira.
Quer dizer apenas que assumimos grandes riscos ao investir em empresas que de alguma maneira prejudicam o futuro da humanidade e a perenidade da empresa. Por muito tempo os minoritários olharam para o G das empresas. Em primeiro lugar para a governança em relação aos acionistas fora do bloco de controle, um conceito que demorou em ser percebido pelos fundadores de grandes empresas.
Posteriormente passaram a olhar para a governança em relação a todos os stakeholders, em especial após os escândalos como a manipulação da taxa libor por Bancos Europeu em 2012, que os levou a contabilizar multas de €$1,7 bilhões; o pagamento de subornos pela Siemens em 2008 que acarretou em multas de quase US$2 bilhões; e mais recentemente as baixas de gastos adicionais capitalizados indevidamente pela Petrobras no valor de R$6 bilhões.
Mas ESG é muito mais do que o G e exemplos como: o prejuízo da Bayer em 2018 depois que a Monsanto, adquirida em maio daquele ano, perdeu a primeira ação movida por um jardineiro que alega ter adquirido câncer linfático pela manipulação de glifosato; o acidente com a barragem da Samarco em 2015 e da Vale em Brumadinho em 2019, levou investidores a aumentar a preocupação com o E e o S das empresas.
Mais recentemente, a atenção dada ao desmatamento da floresta Amazônica tomou proporções consideráveis, mesmo sendo um tema que tem preocupado a humanidade já faz tempo. A contribuição do investidor ao tema pode e deve ser feita, a nosso ver, através do não investimento em empresas que contribuam para o desmatamento.
O primeiro setor a vir à mente é o de frigoríficos, já que muitos pecuaristas compram terras no bioma amazônico e desmatam para transformá-los em pasto. Na teoria, é possível rastrear o gado desde o seu nascimento pelo registro SIF, o que deveria coibir gado de regiões de desmatamento, mas não é pratica comum. Marfrig diz que conseguirá rastrear todos os animais de corte até 2025. O retorno é um componente importante na equação investimento.
Portanto, não adianta investir em empresas que sejam 100% ESG, mas que estão caras e não tem potencial de alta. Quem investe quer ver seus recursos renderem.
Sendo assim, a análise fundamentalista é um componente essencial para um portfólio bem estruturado que visa além do investimento “sem sustos” retornos atrativos. Portanto, não abandonamos, em nenhum momento, a análise fundamentalista, onde continuamos a buscar as ações com os melhores retornos.
Apenas iniciamos o processo pelas ferramentas de determinação das empresas em que podemos investir e que não devem trazer riscos não mensuráveis, tanto ambientais, sociais e de governança. Utilizamos o filtro negativo.
Assim, excluímos Petrobras e Vale da carteira (consta em regulamento do fundo), duas empresas que respondem por 20% do Índice Bovespa. Mesmo entendendo que os produtos destas empresas ainda são essenciais para a sociedade, acreditamos que existem outras opções em outros lugares do planeta que possam suprir as necessidades sem o risco de dano.
Em termos de energia fóssil, já existem muitos substitutos e a Petrobras terá que se reinventar para não deixar de existir. Já a substituição do minério não é para já, mas existem opções com menores riscos ao meio ambiente.
Adicionalmente somos contra o financiamento de empresas de armas e neste sentido tampouco alocamos nossos investimentos em Forjas Taurus. Um bom processo de gestão só se obtém através do ativismo. Assim sendo, é essencial o acompanhamento de todos os fatos/noticias ESG domésticas e internacionais.
Todos os fatos devem ser ponderados, sejam eles setoriais, macro ou micro. A elaboração de um “watch list” é essencial tanto na gestão tática como estratégica, garantindo além do investimento seguro, bons retornos. A carteira inicial do fundo está distribuída em 15 papeis. Investimos 11% em alimentos e bebidas, 24% em varejo e 8% em “healthcare” acreditando na retomada em médio prazo da economia.
Outros 28% foram investidos em concessões, que de certo modo também refletem a retomada e a queda dos juros de longo prazo, em especial no setor de rodovias. Ações ligadas ao desempenho do câmbio representam 15% da carteira e o restante em empresas do setor financeiro.
Nenhuma empresa tem “rating” ponderado ESG abaixo de 50%. Acompanhamos todos os eventos domésticos e internacionais relacionadas a elas, além das mudanças econômicas que possam reverter nossa expectativa de melhora sustentada nos próximos meses.
Este material foi elaborado pela FRAM CAPITAL – GESTÃO DE ATIVOS LTDA. (“FRAM Capital”) com o propósito de apresentar conteúdo meramente informativo.”
Fonte: https://www.framcapital.com/wp-content/uploads/2020/09/Carta-do-Gestor-082020.pdf


