
O escândalo de governança da Qualicorp
A empresa anunciou ontem, que por decisão unânime de seu Conselho de Administração, pagará ao acionista fundador ,e que hoje detém uma participação de 15% na companhia, o montante de R$ 150 milhões para a não alienação de ações por ele detida e uma cláusula de “non competing”.
Este é o maior escândalo já visto no mercado de capitais brasileiro, superando a tentativa de pagamento de royalties à família Gerdau pelo uso do nome pela empresa – operação esta que não se efetivou por pressão dos acionistas minoritários.
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Os três conselheiros independentes aprovaram a operação sem nenhum questionamento. São eles: Nilton Molina, Alexandre Silveira Dias e Arnaldo Curiati.
Após o anúncio as ações da empresa despencaram 29,37% fazendo com que a mesma perdesse R$ 1,4 bilhão de valor de mercado.
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Em um momento em que o país clama por ética na política, nos deparamos com um escândalo desses, sem precedentes no mercado brasileiro.
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A AMEC já se manifestou duramente contrária a operação, a CVM anunciou que a operação está em análise na entidade, mas cabe aqui alguns questionamentos: Qual é o banco de investimentos que está assessorando a empresa ou o acionista nesta transação? Será que este banco também não tem princípios ou parâmetros mínimos de governança? Se a operação não é ilegal é ao menos imoral; O que a B3 vai fazer?
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A Qualicorp integra o nível 3 e os índices de governança corporativa IGC e IGCT da bolsa brasileira. Não vi nenhuma manifestação por parte da B3, até o momento. Será que vão fingir que nada aconteceu como vimos no caso da Vale no desastre de Mariana/MG, onde a empresa fazia parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial e a B3 nada fez, aguardando seis meses até que a empresa fosse retirada do referido índice.
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Na nossa opinião, este caso deveria ter punição exemplar com os acionistas minoritários não apenas questionando a empresa por ter aceito tal acordo, mas entrar com uma ação civil pública contra os membros do Conselho de Administração, que aprovaram a operação, e contra o banco que assessorou tal transação.
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Luiz Felix Cavallari Fo
Sócio da Kipu Invest Consultoria


